
As acções da RePower subiam quase 2% na bolsa de Frankfurt depois do Diário Económico ter noticiado que o consórcio formado pela portuguesa Martifer e pelos indianos da Suzlon se preparam para rever em alta a contrapartida da OPA lançada sobre a empresa alemã de energia eólica.
Sílvia Oliveira
Os títulos negociavam nos 154,70 euros, a subir 2,11%, avaliando a empresa em 1,25 mil milhões de euros, depois de ter tocado num máximo diário de 155,74 euros por acção, a que correspondia uma valorização de 2,8%.
A Martifer, participada da Mota-Engil, lidera o consórcio formado com a Suzlon e encontra-se numa disputa com a francesa Areva para o controlo da RePower. A dupla luso-indiana detém uma posição de 25,43% na empresa alemã, enquanto os franceses da Areva são os maiores accionistas, com uma fatia de 29,9% do capital.
Segundo a edição impressa de hoje do Diário Económico, a Martifer/Suzlon já decidiu que vai superar os 140 euros por acção oferecidos pela Areva pela RePower, faltando apenas acertar a data em que o vai fazer.
Uma das questões mais sensíveis para a Martifer e para a Suzlon é, neste momento, escolher a data adequada, por forma a limitar, tanto quanto possível, a eventual capacidade de reacção da Areva, um grupo controlado maioritariamente pelo Estado francês. Se quiser evitar um prolongamento da OPA, a revisão do preço terá de ocorrer até 5 de Abril.
Segundo a lei alemã, qualquer alteração das condições e termos da oferta que ocorra nos últimos quinze dias da operação, implica a prorrogação do prazo por mais duas semanas. Neste momento, o fim da OPA está marcado para dia 20 de Abril.
No entanto, nada impede que, se a Martifer e a Suzlon anunciarem o seu novo preço no limite do prazo, ou seja no dia 5 do próximo mês, a Areva volte a subir a parada no dia seguinte. Aí, o resultado seria o prolongamento da oferta por mais 15 dias. E o desfecho da OPA passaria para Maio.
Todos estes dados, incluindo a data das eleições francesas, que ditará a saída de Jacques Chirac, estão a ser ponderados ao detalhe. O facto de a Areva ser uma empresa maioritariamente detida pelo Estado francês não é despiciendo nesta disputa pelo controlo da REpower.
Ainda que a empresa portuguesa, gerida pelos irmãos Carlos e Jorge Martins, tenha dito que prevê anunciar a sua decisão até ao dia 5 de Abril, não é de descartar a possibilidade de esta sua tomada de posição poder vir a ser adiada.
Ainda que o candidato mais bem posicionado nas sondagens para suceder ao actual presidente francês seja da mesma família política – Nicolas Sarkozy –, a fase de transição após eleições poderá gerar alguma instabilidade e, porventura, restringir a liberdade da Areva .
Se quiser voltar a subir o preço, a empresa francesa necessitará de falar com o seu accionista, ou seja, o Estado. E, nessa altura, o Presidente da República francês já seria outro.
















